Moradores, sobretudo os insatisfeitos com o trabalho do síndico, podem fazer acusações infundadas e gerar crises no condomínio. Antes de disseminar qualquer informação, atente-se a esses pontos

Por Aldo Junior*

Em tempos de fake news, todos estão preocupados com o poder que as redes sociais têm de impactar positiva ou negativamente as pessoas comuns, empresários, síndicos, administradores e até governantes.

Histórias falsas viajam muito mais rapidamente nas redes sociais do que as verdadeiras, uma vez que costumam ter cunho emocional ou político e são escritas muitas vezes com esta intenção.

Não é novidade para nenhum síndico que condôminos insatisfeitos, ou até mesmo a oposição instalada dentro de um condomínio, seja ele residencial, comercial ou misto, costuma ser sangrenta e impiedosa.

O que impera nos condomínios são os interesses individuais, nunca os coletivos, portanto, tudo começa com primeiro não emanado pelo síndico. No momento em que o síndico vem atendendo favores, abrindo exceções e fazendo as vontade dos condôminos em todas as suas pretensões, tudo fica azul.

Quando o síndico resolve discordar, não atender às ordens veladas de seus condôminos, tudo se transforma; os insatisfeitos se revoltam, a oposição aparece repentinamente e se exalta pelos corredores e aí começam as divulgações de mentiras, ilações, acusações e chegamos às fatídicas fake news condominiais, entre as mais comuns estão:

  • Cartas apócrifas indicando saldos fictícios do condomínio, tentando induzir o condômino ao erro de avaliação da gestão do síndico;
  • Avisos mentirosos colocados debaixo das portas na calada da noite;
  • E-mails com “print” de telas de aplicativos disseminados sem qualquer controle;
  • Mensagens fixadas nos murais com as mais absurdas acusações.

Essa prática que se assemelha muito às fake news, podemos chamar de fake news condominiais. Apesar de não ter a característica especifica e técnica de uma notícia, acaba circulando pelo condomínio e se não for rebatida em tempo acaba virando uma verdade mentirosa.

Esse é o ponto principal da questão. O síndico não pode em hipótese alguma permitir que essas ditas “notícias” circulem pelos mais diversos meios de comunicação do condomínio sem a devida e contundente resposta.

Essas inverdades muitas vezes são propagadas e se tornam um verdadeiro inferno na vida do síndico. Combatê-las é essencial para a preservação da imagem do síndico e principalmente pela idoneidade de sua administração.

Mas como saber se aquilo divulgado é verdade ou mentira? É de fundamental importância não acreditar logo de primeira naquilo que estiver recebendo repentinamente e buscar se inteirar da situação levantada, para então firmar uma posição.

Desse modo, vale a pena a avaliação por parte dos condôminos destes 6 passos preventivos a serem considerados antes da tomada de posição, vejamos:

  1. Procurar e apurar com outras fontes de informação (condôminos e conselheiros fiscais) o teor e os objetivos da informação divulgada;
  2. Questionar os autores se existe na prática, provas concretas e documentadas das eventuais denúncias;
  3. Analisar o texto em detalhes, com critério e olhar crítico avaliando o que é relevante e supostamente verdadeiro;
  4. Ponderar junto ao síndico sobre o assunto em tela e levantar suas possíveis dúvidas;
  5. Permitir ao síndico o direito de resposta, com a apresentação de plausíveis documentos, seja ela verbal ou por escrito;
  6. Finalmente, após todas as análises, emitir sua opinião sobre o tema.

Provocar o senso crítico nos condôminos, trazer a discussão democrática e os temas questionados pelos opositores sem querer protagonizar ou se revestir na figura de um vingador, pode, sem dúvida, resolver a situação do síndico sem traumas.

Saber receber a informação com tranquilidade, analisar com calma se é verdadeira ou falsa, e não propagá-la de forma irresponsável para outros condôminos pode evitar uma tragédia no condomínio.

(*) Aldo Jr. também é conhecido como Dr. Condomínio.

via sindiconet.com.br