Você já ouviu falar em risco biológico? Ele não ataca só hospitais. Pode ocorrer no seu condomínio e é fatal. Veja como evitar

Algumas situações são verdadeiros tabus na vida do síndico. Uma delas é morte violenta ou suicídio no condomínio. Ninguém gosta de pensar a respeito. Mas simplesmente ignorar que coisas assim podem acontecer não é uma boa atitude. Porque, se um dia acontecer, é preciso saber o que fazer. E isso vai além de chamar a polícia.

Para o síndico, a dor de cabeça começa depois que as autoridades deixam a “cena do crime”. Como higienizar o local e lidar com possíveis resíduos? Há procedimentos e equipamentos específicos? Nem é preciso ser especialista para supor que os produtos de limpeza habituais não dão conta dessas situações.

A pergunta é: Será que o pessoal da limpeza do condomínio está preparado para a missão, sem pôr em risco a própria saúde e a das pessoas que circulam pelo ambiente?

Não estamos falando apenas de tragédias. A morte não atendida - quando uma pessoa faleceu e o fato só foi constatado dias depois - também requer providências acertadas e imediatas. Ainda que não seja o síndico a tomar a frente, cabe a ele orientar o responsável. Afinal, algumas questões afetam diretamente os vizinhos; por exemplo, o odor.

Sergio Mulet, que atuou por 12 anos na área de controle de infecções hospitalares, é categórico: “Pessoas não-treinadas não podem e não devem realizar esse tipo de serviço”.

Sua empresa, a Biodecon, é especializada em eliminar o risco biológico de situações como cenas de morte, trauma e decomposição humana, para citar algumas. Começou realizando os processos de limpeza, desinfecção e desodorização em hospitais e hoje também presta serviços para condomínios.

“Nosso primeiro caso foi uma morte não atendida — uma senhora que faleceu em sua cama há, pelo menos, cinco dias. Após a retirada do corpo pelo IML, fizemos a intervenção, separando a parte contaminada da não contaminada. Os resíduos infectantes foram recolhidos para incineração e finalizamos a limpeza e a desinfecção com equipamentos de desodorização”, descreve Mulet.

Situações de risco no condomínio

O risco biológico ameaça diretamente a saúde humana e se apresenta em diferentes situações:

  • cena de crime;
  • morte de pessoa sozinha;
  • enchentes;
  • doenças contagiosas;
  • pragas (as mais comuns são de pombos ou ratos);
  • residências insalubres (por acumuladores compulsivos de objetos, lixo ou até animais).

contato com fluidos corporais (sangue, fezes, vômito) podem contaminar e adoecer as pessoas não preparadas. Ambientes com insalubridade, por exemplo, exigem produtos e equipamentos que não estão a venda em lojas comuns, além da técnica apropriada e o Equipamento de Proteção Individual (EPIadequado para eliminar esses focos de risco biológico.

Pessoas sem a devida técnica, preparo ou proteção – alerta Mulet - limpam os resíduos respirando os esporos. Elas adoecem e, tempos depois, podem falecer. O mesmo acontece no contato com o mofo negro, altamente tóxico, geralmente presente em residências de acumuladores compulsivos.

Nos Estados Unidos, existem 500 empresas que prestam serviço de limpeza, desinfecção e desodorização em situações da vida cotidiana que requerem uma intervenção por técnicos qualificados e preparados para eliminar o risco de contaminação.

“Aqui no Brasil, somente a Biodecon tem essa abrangência e é certificada internacionalmente pela Associação de Biorecovery Americana (ABRA) para seguir suas diretrizes e garantir a qualidade dos serviços”, diz Sergio Mulet.

Desinfecção dos espaços comuns

Entre os serviços mais solicitados pelos condomínios está a desinfecção de áreas comuns. Nos espaços onde crianças brincam, em que alguma delas teve uma doença contagiosa (o que é frequente), as mães ficam preocupadas, pois uma limpeza comum não resolve.

Essa situação, conforme Mulet, pode ocorrer com diversos tipos de doenças, tais como sarampo, meningite, gripe, entre outros vírus, bactérias e fungos.

“Na brinquedoteca de um condomínio, uma criança doente contagiou outras quando brincavam juntas. Uma limpeza comum não resolve o problema. Tivemos que realizar nossa técnica de dupla desinfecção, utilizando um detergente desinfetante de nível hospitalar, desinfetando todos os brinquedos, um por um, e finalizando com outro desinfetante específico. Sendo assim, puderam liberar a brinquedoteca que estava interditada”.

O mesmo se aplica para a desinfecção de dejetos de animais (bombos, ratos etc) ou de locais atingidos por enchentes.

“As pessoas limpam, mas não desinfetam. É onde nós intervimos e desinfetamos para que nenhum micro-organismo patogênico possa causar doença, por meio de algum refluxo ou vazamento de esgoto”.

Presença especializada é fundamental

Os profissionais que lidam com risco biológico devem estar treinados e capacitados com a Norma Regulamentadora NR 32, que regulamenta as boas práticas de gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde.

Os técnicos da Biodecon estão certificados e cumprem a resolução da Anvisa RDC N. 222 em referência ao processamento dos resíduos considerados infectantes, pois quem joga resíduos como sangue e fluídos corporais no lixo comum está infringindo a lei. Assim mesmo, sempre se deve ter e utilizar o EPI de proteção.

Muitas pessoas pensam que a polícia ou o IML limpam os resíduos deixados em uma situação de morte, mas a famíliaou mesmo o condomínio, é responsável pela limpeza.

Torçamos para que situações assim não aconteçam. Mas, uma vez que seja preciso enfrentá-las, saber que é necessário chamar uma empresa especializada é o mínimo.

No caso do condomínio, para evitar o risco biológico e preservar a saúde de todos, a equipe capacitada é fundamental.

via https://www.sindiconet.com.br/