É preciso pouco investimento e muita criatividade para transformar ambientes comuns em verdadeiros espaços lúdicos para a criançada

Com a explosão de energia da infância, as brincadeiras e o aprendizado podem e devem andar lado a lado. Por isso, para quem tem filhos e vive em condomínios, nada melhor do que dispor de um espaço lúdico que seja seguro e preparado para acolher as crianças. Esses locais de imaginação e muita ação precisam de cuidados especiais para que todos convivam bem e para que os adultos possam ficar despreocupados com o bem-estar dos menores. Confira algumas ideias para tornar os espaços coletivos mais adequados à criançada e veja quais são as medidas que devem ser tomadas para que a brincadeira não se torne um problema sério.

Diversão educativa

É nos condomínios que as crianças criam laços sociais com outras de idades similares, de maneira mais independente e natural do que nas escolas. Essa convivência propicia a compreensão dos diferentes pensamentos e atitudes por meio da investigação e ampliação de seus conhecimentos sobre si mesma e sobre o mundo.

Pensando nisso, o espaço físico exerce grande influência no desenvolvimento das crianças, tendo conexão com a aprendizagem, a interação e a criatividade. A psicopedagoga Fabíola Grein Lomba defende a criação de uma brinquedoteca, local onde brincadeiras dirigidas podem ocorrer mais facilmente. “Esse espaço propicia um controle maior por parte dos adultos e oferece possibilidades de recreações educativas, como jogos de tabuleiro e peças de encaixe”, explica. Ela destaca a importância de cadeirinhas e mesinhas para que os pequenos possam sentar, brincar e interagir uns com os outros por meio dos jogos.

A personalização do ambiente é fundamental para a construção da identidade pessoal da criança, auxiliando no desenvolvimento da autonomia e da independência. Por isso, a arquiteta Carolina Reis acredita que os ambientes devem ser pensados de forma acessível às crianças. “Os objetos e brinquedos têm de estar ao alcance dos pequenos, satisfazendo suas necessidades. Desta forma, o desenvolvimento ocorrerá com sua autonomia e melhor socialização”, explica a profissional cujo escritório se desenvolveu para prestar consultorias em escolas e condomínios. Estimular os sentidos dos pequenos é fundamental, por isso, é interessante que eles também tenham acesso à natureza.

“Um ambiente carente de recursos, onde tanto a criança e até mesmo o adulto veem somente paredes e espaços vagos, é um ambiente sem vida, com falta de oportunidade, desafios, impedindo o conhecimento”, defende a arquiteta. Por essa razão, locais seguros com estímulos são os mais indicados, como aqueles que são acolhedores, lúdicos, coloridos e com a presença da natureza. Uma boa ideia nesse sentido é a existência de uma hortinha comunitária, com um adulto como supervisor.

Outra medida de fácil implantação é o cantinho da leitura, ou, caso seja possível, uma biblioteca, para que a criança possa ter acesso a livros, gibis, e revistas, tomando gosto pela leitura. “Lembrando de sempre instaurar limites de horário e de atividades que podem ser realizadas no local, para que as crianças entendam regras e para que todos possam conviver em harmonia”, elucida a psicopedagoga. Ela aponta que é interessante contratar profissionais de recreação em datas especiais, como nas férias, para estimularem as brincadeiras dirigidas, mais educativas. “Uma salinha de culinária pode fazer com que as crianças entendam o processo de preparo de um alimento, e se tornem mais independentes”, complementa.

Amizade e brincadeiras fortalecem vínculos entre moradores mirins. — Foto: Divulgação

Atenção para a segurança

A dica principal para que acidentes não aconteçam está ligada à supervisão de crianças com menos de dez anos. “É necessário que haja o controle do comportamento dos pequenos, que nessa fase não possuem consciência de suas atitudes e podem, inclusive, machucar uns aos outros”, explica a psicopedagoga. A profissional aponta para a necessidade de monitoramento especialmente em locais nos quais as crianças ficam mais soltas, como em playgrounds e piscinas, onde não há uma atividade dirigida.

Como explica a arquiteta Carolina, algumas especificações são orientadas por meio das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), como no caso de Segurança de brinquedos de playground, regida pelas NBR 14350-1 e NBR 14350-2, que devem ser seguidas.

De forma simplificada, nesses locais é indicado que haja regularmente a manutenção dos brinquedos, além da limpeza e adoção de medidas de higiene – tudo em prol da saúde das crianças. A arquiteta destaca a necessidade da aplicação de pisos emborrachados, ou então de areia e grama, para que as quedas não sejam sentidas com tanto impacto em playgrounds. Já nas áreas com piscina, enfatiza medidas como aplicação de piso antiderrapante.

“Optar por uma piscina com bordas arredondadas evita cortes e lesões, bem como a instalação de grelhas nos ralos das piscinas que previnem que cabelos ou partes do corpo da criança sejam sugados”, explica.

Devido ao fato de afogamentos serem a maior causa de mortes acidentais no Brasil, é imprescindível atentar-se para o controle de entrada dos pequenos em áreas de piscina. Para isso, é interessante a instalação de portões e grades no entorno. “Apenas uma lâmina de água de três centímetros já é o suficiente para que uma criança se afogue”, detalha a arquiteta. Outro ponto fundamental é não deixar crianças sozinhas em garagens, já que nesse espaço podem e o resultado pode ser um atropelamento.

Fonte: g1.globo.com